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Depois é que o mundo falla E se mette com a vida De quem ás vezes se cala Por ser mais bem procedida.Que esta gente que faz gala Em coisa, que vê, contal-a, E sendo mal permittida Inda em cima acrescental-a, Teem a lingua comprida E bem deviam cortal-a.

tanta mágoa.Senão, diga-me alguem que allivio é este Que sinto, quando á abobada celeste Alevanto os meus olhos rasos d agua.Mentem os céos tambem Os céos maldigo.Feras, tigres, tambem o céo povôam Tambem os labios lá sorrindo côam Veneno desleal em beijo amigo Mas na dôr é que os astros nos sorriem, E os homens não sorriem na desdita.

bonita, meu amor Que perfeita, que formosa A ti pozeram-te Rosa, Não te fizeram favor.A rosa, quem ha que a veja Bandeando, sem gostar Mas por mais linda que seja A rosa, quando se embala, Não te ganha nem iguala A ti em indo a andar.A rosa tem linda côr, Não ha flôr de côr mais linda Mas a tua côr ainda É mais fina e é melhor.

Girar, talvez, Em quanto a minha sombra, meus amores Gira a meus pés E vens-me vêr depois, mas vaes-te embora, Sabendo, assim, Que em lagrimas me encontra sempre a aurora Pobre de mim Acabem-se estas mágoas, meu thesoiro E meu amor Cria raiz ou dá-me as azas de oiro, Celeste flôr Olha como embrulhado Que está ainda o céo E o chão, como ensopado Da agua que choveu.

queres um conselho que eu te dou Não mexas n isso...cala-te, Gaspar Que eu, cá por mim, bem sabes como eu sou, Mas é que outro talvez mande tirar Certidão de baptismo a teu avô.Deixa que ao romper d alva o cravo abrindo, Á rosa envie o aroma E lá quando alta noite a lua assoma, O rouxinol carpindo Que pela face a lagrima resvale De quem no exilio geme E quando a propria sombra o homem teme, Que a mãi seu filho embale.

mas vejo o que Não sou eu tão tola Que cáia em casar Mulher não é rola, Que tenha um só par Eu tenho um moreno, Tenho um de outra côr, Tenho um mais pequeno, Tenho outro maior.Que mal faz um beijo, Se apenas o dou Desfaz-se-me o pejo, E o gosto ficou Um d elles por graça Deu-me um, e depois, Gostei da chalaça, Paguei-lhe com dois.

Amo-te a ti, e a Deus.Teus sonhos são riquezas Talvez e fasto.Os meus, És tu, que me desprezas.Deixal-o.Amor acaso É racional Não é.O fogo em que me abrazo É como a luz da fé Que além de cega, apaga O facho da razão.Ama-se e não se indaga Se se é amado ou não.

cobrar logo A fórma e côr perdida, E a bocca toda fogo Ah inspirar-me a vida Supplíca, ó anjo implora Ao Pai universal Que me deixe ir embora D este horroroso val De lagrimas amargas, E turvas de tal modo, Como umas nuvens largas Que tapam o céo todo Inferno e céo, conforme A nossa fé, confesso Que é um mysterio enorme, É um mysterio immenso.

trovão no momento Que soltava esta heresia E áquella rouca harmonia Occorre-me um pensamento, Que me dá uma pancada O coração de tal modo, Como se o rochedo todo Desandasse na chapada.Era a voz da consciencia Que me accusava do crime De negar á Providencia A razão com que me opprime.

Deixa que ao espaço immenso os olhos lance O sol antes que expire Que pelo norte a bussola suspire E nelle só descance.Amam leões e tigres.Não ha nada, Anjo que a amor se esconda.Beija a pomba o seu par e abraça a onda A rocha inanimada.Deixa que a nuvem negra tolde a lua Se a leva a tempestade Deixa que eu te ame a ti, cara metade, D esta alma toda tua Maria vêr-te á porta a fazer meia, Olhando para mim de vez em quando, É o que n esta vida me recreia.

vol-o dou.E lá do espaço immenso Se amada estrella olhar piedoso envia A quem da terra a adora Se o sol aceita á flôr humilde incenso Ha no amor tambem muita poesia...Minha senhora Thuribulo suspenso inda fluctuo, Em quanto a alma em incenso restituo Mas, quando como fumo que se esvai, Minha alma vás teu rumo.

desprezaes embora Culto e adoração De quem vos ama agora As dôres, essas não.Despe o luto da tua soledade E vem junto de mim, lirio esquecido Do orvalho do céo Tens nos meus olhos pranto de piedade, E se és, mulher irmã dos que hão soffrido, Mulher sou irmão teu.

Has-de, cysne expirando alçar teu canto, Has-de lá quando a lua da montanha Te acene o extremo adeus, Voar, Candida ao céo, e ebria de encanto, No oceano d amor que as almas banha, Unir teu canto aos seus.Seus, d ellas, mãi e irmã, cinzas cobertas D um só jacto de terra.