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essas azas, estendida, Me tapavas tu todo, E d esse modo, Com esse escudo, Eu ria-me de tudo E levava esta vida alegremente.Tenho essa fé.Vejo tambem a flôr que nasce ao pé D agua corrente, Ir tão suavemente Levada pela agua Talvez até sem magua De deixar sua mãi.

Então, se por encanto Fallando em ti, mas só, Todo banhado em pranto Me visses, tinhas dó.Tinhas.A piedade É filha da mulher, Que sempre quiz metade D uma afflicção qualquer.Havias ao teu rosto De me apertar a mim, D encher, fartar de gosto, Todo este abysmo sim.

Peço perdão, commovi-me E n um extasi sublime Lagrimas de penitencia, Como um balsamo, uma essencia, Purificam-me e senti-me Com uma nova existencia.Ólho as nuvens esvaíam-se Os roncos do mar ouviam-se, Mas já mais de espaço a espaço.O sol ainda tão baço, De luz tão pouco brilhante, Que se media a compasso Como a cara d um gigante, Descobre-se e resplandece Ao longe o mar apparece E tudo, mar, terra e céos Tão formoso me parece, Como se agora tivesse Sahido das mãos de Deus No rochedo onde descança Meu corpo desfallecido, O verde musgo, vestido Sempre da côr da esperança, Agora reverdecido, Me ensina a ter confiança N esse que do céo nos lança Em dia tempestuoso, Só para nosso repouso O arco da alliança.

andas já presentida D essa voz que te convida A encetar n esta vida Ai uma vida melhor...E em breve desenganada D essa existencia isolada, Darás n alma franca entrada A sentimentos de amor Como esse olhar é dôce Dôce da mesma sorte Como se nunca fosse Toldado pela morte Como se alumiasse O sol ainda em vida As rosas d essa face.

ainda o pranto corria E o cabello me batia No rosto, que me doía, Tal era a força do vento Já tudo tão pardacento A nevoa e chuva fazia Que eu olhava, mas dizia É nuvem ou penedia Aquelle vulto cinzento O mar brilhante algum dia Como prata luzidia Já ninguem o distinguia Da terra e do firmamento Uivar só é que se ouvia, Mas uivar sem sentimento E como em grande tormento Se desvaira a phantasia Fosse eu mar, disse valia Mais ser coisa bruta e fria, Como a rocha onde me sento.

intima influencia, Oh fugitiva luz Luz cuja eterna ausencia É minha eterna cruz.Podessem-te, ainda antes Do meu extremo adeus, Meus olhos fluctuantes Vêr lampejar nos céos.Se ainda n esse espaço, Tão longe onde tu vás, Visse um reflexo baço Da pura luz que dás Tornaram-se-me estrellas As lagrimas de dôr E lagrimas são ellas.

bello pescoço, não existe Outro assim torneado o rosto é lindo E a tão meiga expressão ninguem resiste.A bocca é tão vermelha que, em te rindo, Lembra-me uma romã aberta ao meio Quando já de madura está cahindo.Esses olhos azues...que olhar Receio E desejo estar sempre a contemplal-o Não ha mais dôce e mais custoso enleio Eu não oiço fallar então, nem fallo De enlevado que estou e, juntamente, Gemendo e abafando os ais que exhalo.

trovão no momento Que soltava esta heresia E áquella rouca harmonia Occorre-me um pensamento, Que me dá uma pancada O coração de tal modo, Como se o rochedo todo Desandasse na chapada.Era a voz da consciencia Que me accusava do crime De negar á Providencia A razão com que me opprime.

quando penso bem n esse mysterio Da virtude infeliz vai teu caminho Dois mundos Deus creou.Deus não dispara a setta envenenada Á pombinha que aos ares despedira Com mão traidora e vil.Imagem sua, Deus não volve ao nada, Não aniquila a flôr que ao chão cahira Lá d esse eterno abril.

Deixa que ao espaço immenso os olhos lance O sol antes que expire Que pelo norte a bussola suspire E nelle só descance.Amam leões e tigres.Não ha nada, Anjo que a amor se esconda.Beija a pomba o seu par e abraça a onda A rocha inanimada.Deixa que a nuvem negra tolde a lua Se a leva a tempestade Deixa que eu te ame a ti, cara metade, D esta alma toda tua Maria vêr-te á porta a fazer meia, Olhando para mim de vez em quando, É o que n esta vida me recreia.

palma A rosa, sendo uma flôr Sem voz, sem vida, sem alma, Que abre logo á luz da aurora E á noite esconde-se e chora Pelo sol, o seu amor.Ora e se a rosa, vê bem, Tem amor, não tendo vida, Será coisa permittida Tu não amares ninguem Suppões que Deus te agradece Essa isenção, minha flôr Deus a ninguem reconhece Por filho senão quem ama A terra e o céo proclama Que elle é todo puro amor.

queres um conselho que eu te dou Não mexas n isso...cala-te, Gaspar Que eu, cá por mim, bem sabes como eu sou, Mas é que outro talvez mande tirar Certidão de baptismo a teu avô.Deixa que ao romper d alva o cravo abrindo, Á rosa envie o aroma E lá quando alta noite a lua assoma, O rouxinol carpindo Que pela face a lagrima resvale De quem no exilio geme E quando a propria sombra o homem teme, Que a mãi seu filho embale.

Amo-te a ti, e a Deus.Teus sonhos são riquezas Talvez e fasto.Os meus, És tu, que me desprezas.Deixal-o.Amor acaso É racional Não é.O fogo em que me abrazo É como a luz da fé Que além de cega, apaga O facho da razão.Ama-se e não se indaga Se se é amado ou não.

desprezaes embora Culto e adoração De quem vos ama agora As dôres, essas não.Despe o luto da tua soledade E vem junto de mim, lirio esquecido Do orvalho do céo Tens nos meus olhos pranto de piedade, E se és, mulher irmã dos que hão soffrido, Mulher sou irmão teu.

Depois a rosa em abrindo Vai-se-lhe o cheiro tambem A tua bocca em te rindo Só o bom cheiro que exhala...E quando fallas, a falla, Isso é que a rosa não tem.Ella o que tem, meu amor O cheiro, a côr e mais nada.Confessa, rosa animada Que és outra casta de flôr.

admira a mim que o sol, monarcha De indisputavel throno, e throno eterno Em céo e terra e mar Que em seu imperio o mundo inteiro abarca Abaixe á pobre flôr seu dôce e terno, Mavioso olhar.Não me admira a mim que a crystallina, Tão pura, onda do mar, que espelha a face Do astro creador, Que essas asperas rochas cava e mina, Á praia toda languida se abrace E toda amor Mas sendo vós um sêr mais precioso Do que onda e sol um anjo de poesia Inspirada e que inspira Que ás minhas mãos, das vossas, tão mimoso, Delicado penhor descesse um dia É que me admira.

tanta mágoa.Senão, diga-me alguem que allivio é este Que sinto, quando á abobada celeste Alevanto os meus olhos rasos d agua.Mentem os céos tambem Os céos maldigo.Feras, tigres, tambem o céo povôam Tambem os labios lá sorrindo côam Veneno desleal em beijo amigo Mas na dôr é que os astros nos sorriem, E os homens não sorriem na desdita.

tambem, Amparando-me tu a mim nos braços, Eu seguia-te os passos, Fosse por onde fosse E d essa sorte Até a morte Me seria dôce.Dorme, estatua de neve, Vergontea de marfim Tocar que impio se atreve No que é sagrado assim Dois são o mais, mysterio Vedado á terra.

escolha.Está na mesa O que ha em casa é tirar Tirar com toda a franqueza Inda hão-de espinhos sobrar.Mas se espinhos, mas se abrolhos Lhe não agradam, amor Mire-se bem nos meus olhos, Que ha-de ahi vêr...uma flôr.Emilia não vês a lua Como vacilla e fluctua, Ora avança, ora recúa, E não ha passar d alli Tu és a imagem d ella És tão sympathica e bella, Meiga e timida, que ao vêl-a Me lembra sempre de ti Tu és o botão de rosa Que abraçado á mãi formosa Só folga, só vive e goza N aquella triste união Treme até de ouvir a aragem Passar por entre a folhagem Emilia tu és a imagem Do mais timido botão.

Sim, lagrimas d amor Vê n esse espaço immenso Os astros como estão Bem como eu estou, suspenso Por intima attracção.Porque ha quem os attráia É essa eterna paz Que a mim de praia em praia A suspirar me traz.Converte-me este inferno Em azulado céo, Ou quebra o laço eterno Que a tua luz me deu Ou antes muda em espuma De nunca estavel mar Esta alma que alma alguma Póde exceder em amar.

deuses, cada qual uma arvore, Á sua guarda consagraram Jupiter Esse o carvalho, a murta Venus, Hercules Lá esse o alemo, e o loureiro Apollo.Vendo-as Minerva todas infructiferas Que é isto exclama.Jupiter acode-lhe Senão, diriam, filha que as guardavamos Só pelo fructo.

flôres.A Rosa trouxe-me rosas E nada mais natural, Mas eu prendas tão mimosas É que não tenho inda mal.Quando tinha, se me désse, Não digo mais que uma flôr, Talvez de flôres lhe enchesse Esses cofrinhos d amor.Aguas passadas, Rosinha Deixal-o veja se vê N este chão que já foi vinha Coisa que ainda se dê.

Astros fio-me em vós, e Deus permitta Que os infelizes sempre em vós se fiem.Intima voz do fundo, bem do fundo D alma me diz e as lagrimas me saltam Vês os milhões de soes que o espaço esmaltam Pisa a terra a teus pés, inda ha mais mundo.Ha depois d esta vida inda outra vida.

loureirinho, Que era o que havia só, Encontra-o no caminho, Ia-o fazendo em pó.D aqui passa, á maneira Assim d um caracol, Áquella farrobeira Põe-lhe a raiz ao sol.Aquelle enorme tronco Quiz resistir, depois, Ouviu-se um grande ronco, Quando o eu vejo em dois.

Depois é que o mundo falla E se mette com a vida De quem ás vezes se cala Por ser mais bem procedida.Que esta gente que faz gala Em coisa, que vê, contal-a, E sendo mal permittida Inda em cima acrescental-a, Teem a lingua comprida E bem deviam cortal-a.

Abraços, abraços Que mal nos farão Se Deus me deu braços, Foi essa a razão.Um dia que o alto Me vinha abraçar, Fiquei-lhe d um salto Suspensa no ar.Amores, amores.Deixál-os dizer Se Deus me deu flôres, Foi para as colher.Eu tenho um moreno, Tenho um de outra côr, Tenho um mais pequeno, Tenho outro maior.

bello tempo aquelle em quanto pude Levar, como tu levas, todo o dia N essa vida chamada ingrata e rude Nunca soube o que foi melancolia, Nunca provei as lagrimas salgadas Com que a nossa alma as penas allivia Andava sim por essas cumiadas Ao sol, á chuva, muita vez, sósinho, Vendo os valles, das rochas escarpadas Descendo pelo córrego estreitinho, De pontal em pontal, cortando o matto, Pelas chapadas, fóra de caminho Mas não era que já o teu retrato Me andasse a mim no coração impresso, Onde hoje o trago no maior recato, E um desengano teu que não mereço Me tivesse tirado a fé tão dôce D alcançar algum dia o que appeteço.

reduz a nada um grão d arêa, E havia de a nossa alma, a nossa idêa Nas ruinas do pó ficar perdida Isso que pensa e quer até me admiro, Isso que a luz nos traz, que a luz nos leva, Isso que me abre o céo que ao céo me eleva N um teu cançado olhar, n um teu suspiro Onde, não sei eu bem, mas sei que existe Deus remunerador.

concebo Como Deus me creasse Para tormento eterno Elle que tão affavel, meigo e terno Te beija a ti a face E te embala no collo, Margarida A mim dar-me esta vida...Mas vejo á sombra d altos edificios Miudissimas flôres De tão subtís e delicadas côres Que se o sol lhes chegasse Talvez que nem resquicios Lhes ficasse.

olhos só elles valem Duas estrellas, bem vês Pois vozes que a tua igualem Na doçura, na pureza, Na terra, não, com certeza Agora no céo, talvez.Não ha assim perfeição, Não ha nada tão perfeito, Mas é um grande defeito O de não ter coração.

tambem a lua pára Se algumas vezes repara N uma nuvem menos clara, É um momento e...passou.Não ha existencia alguma Que não tenha amor nenhuma Porque o amor é, em summa, Essencia de todo o sêr.Ha sempre quem nos attráia.Mil vezes que a onda cáia, Ha uma rocha, uma praia Aonde a onda vai ter.

largo espaço Que te não vejo, espero Lhe contes o que eu passo N este aspero desterro Que assim que te não veja É noite fria e escura, Noite que mette inveja Á mesma sepultura Em acordando agora, O meu contentamento É vêr em cada aurora Um dia de tormento Podesse eu dar-te a prova Dos dias que me esperam, Lançando-me na cova Onde elles te pozeram Lançassem-me algum dia Ao pé, que de repente O coração te havia De ainda pular quente.

mysterio é tudo Folhinha d herva, e estrella, Não ha comprehendêl-a É contemplal-a mudo.E a herva, como existe, A mim quem m o diria, Se a luz que me alumia Nem sabe em que consiste Mas uma coisa sabe O que a cabeça ignora O coração.